Cost could soon come down for millions of Americans, drugmaker confirms – here’s how

Cost could soon come down for millions of Americans, drugmaker confirms - here's how

ozempic

Ozempic, GLP-1 e a Guerra do Preço: Como o Medicamento das Celebridades Entrada na Mira do Governo Americano

A Novo Nordisk, gigante farmacêutica dinamarquesa por trás do famoso Ozempic, declarou recentemente que é “muito provável” que seu medicamento entre na próxima rodada de negociações de preços do Medicare. Essa afirmação, feita durante a Cantor Global Healthcare Conference, em Nova York, acendeu um alerta no setor farmacêutico e na mídia internacional. O vice-presidente sênior de finanças e operações da empresa, Ulrich Otte, destacou que a companhia está se preparando para lidar com a nova fase de regulação e pressão por parte do governo americano.

Hoje, o custo do Ozempic nos Estados Unidos pode ultrapassar US$ 1.200 por mês para pacientes sem seguro médico. Em contrapartida, o mesmo medicamento custa cerca de US$ 59 por mês na Alemanha. Essa discrepância extrema no valor pago por consumidores de diferentes países foi alvo de críticas públicas, incluindo o próprio presidente americano, Joe Biden. Em um artigo publicado no USA Today, Biden afirmou que a Novo Nordisk lucrou mais de US$ 12 bilhões “roubando os americanos” por meio de preços considerados abusivos. Segundo ele, o custo de produção do medicamento seria inferior a US$ 5 por unidade.

Entenda o Que é o Ozempic

O Ozempic (semaglutida) é um medicamento desenvolvido inicialmente para tratar o diabetes tipo 2. Seu princípio ativo imita a ação do hormônio GLP-1, que ajuda a regular os níveis de açúcar no sangue, estimula a produção de insulina e retarda o esvaziamento gástrico. Como consequência, muitos usuários relataram perda de apetite e emagrecimento significativo — o que fez com que a droga se tornasse popular fora do público diabético.

A comunicação se ampliou após diversas celebridades e influenciadores digitais relatarem experiências bem-sucedidas com o medicamento, promovendo seu uso como solução estética para perda rápida de peso. Estrelas de Hollywood, executivos do Vale do Silício e até políticos estariam entre os usuários da droga. Essa popularização impulsionou o crescimento explosivo da receita da Novo Nordisk e manifestou importantes discussões sobre ética, acessibilidade e regulação.

Por que os Americanos Pagam Mais Caro?

Durante décadas, o governo federal dos Estados Unidos foi proibido de negociar diretamente com as farmacêuticas sobre o preço de medicamentos pagos pelo Medicare, o sistema público de saúde voltado para idosos. Isso permitiu que empresas como a Novo Nordisk fixassem preços muito mais altos do que aqueles praticados em países da Europa, onde negociações governamentais são padrão.

Em 2022, no entanto, essa realidade começou a mudar com a aprovação da Lei de Redução da Inflação (Inflation Reduction Act – IRA), que autoriza o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) e os Centros de Serviços Medicare e Medicaid (CMS) a negociar os preços dos medicamentos mais caros. A primeira rodada de negociações, que entra em vigor em janeiro de 2026, inclui 10 medicamentos populares. A expectativa é de que o Ozempic esteja na próxima lista, a ser anunciada em fevereiro.

O Impacto Econômico da Redução de Preços

Se o preço do Ozempic pelo fato negociado, isso pode representar uma economia de bilhões de dólares para o sistema de saúde público americano. Você também pode abrir a Novo Nordisk para ajustar os valores em outros mercados. Hoje, o medicamento é um verdadeiro motor de receita para uma empresa, que expandiu sua infraestrutura global para atender à demanda crescente por GLP-1s. Mas com a maior concorrência no mercado e a entrada de versões genéricas nos próximos anos, esse cenário pode mudar.

O Lado Sombrio do Sucesso

A popularidade do Ozempic também tem seu lado obscuro. O preço elevado levou muitos consumidores a buscarem alternativas ilegais, como farmácias online que vendem versões falsas ou de baixa qualidade do medicamento. Isso representa graves riscos à saúde e coloca o FDA (Food and Drug Administration) em alerta constante.

Além disso, há um debate crescente sobre o uso estético do Ozempic por pessoas que não sofrem de diabetes ou obesidade mórbida. Especialistas alertam para os efeitos colaterais da droga, como náuseas, vômitos, constipação, perda de massa magra e até problemas pancreáticos. O uso recreativo — ou puramente estético — levanta questões éticas e médicas que ainda não foram completamente respondidas.

Novidades no Horizonte: Amicretina, o Novo Rival

Como resposta à demanda por soluções menos invasivas, a própria Novo Nordisk está desenvolvendo a amicretina, uma nova droga oral que promete efeitos semelhantes aos do Ozempic. Em testes clínicos recentes, pacientes perderam até 13% do peso corporal em apenas três meses. Se aprovada, essa versão em comprimido poderá reduzir custos de produção e distribuição, ampliando ainda mais o alcance da terapia.

A Guerra das Patentes e os Suplementos Naturais

Enquanto isso, o mercado de suplementos naturais GLP-1 explodiu. Marcas como a Lemme, de Kourtney Kardashian, oferecem produtos que prometem “estimular a produção natural de GLP-1” sem os efeitos colaterais das injeções. No entanto, médicos e especialistas alertam: esses suplementos não contêm GLP-1 nem replicam sua ação farmacológica. Na melhor das hipóteses, apresenta um suporte leve; na pior, são puro marketing sem respaldo científico.

O Que Dizem os Especialistas?

Uma Dra. Roshini Raj, gastroenterologista de Nova York, afirmou ao programa “Today” que os suplementos vendidos como GLP-1 são como o “Velho Oeste”. “Eles não contêm hormônios nem um agonista”, disse. Já o Dr. Hans Schmidt, cirurgião bariátrico de Nova Jersey, foi mais direto: “Se eles funcionassem tão bem quanto prometem, estariam em todo lugar.

Lauren Harris-Pincus, nutricionista registrada, fez uma analogia interessante: “É como comparar um conta-gotas com uma mangueira de jardim. Um suplemento não tem a força de um medicamento aprovado.”

O Futuro do GLP-1: Regulação, Ética e Democratização

À medida que os medicamentos GLP-1 se tornam mais populares e acessíveis, o desafio dos órgãos de regulação equilibrará a inovação com segurança e justiça econômica. O governo americano deu um passo importante com o IRA, mas ainda há muito a ser feito.

O acesso à saúde de qualidade não pode ser um privilégio para poucos. E, embora as empresas faturam bilhões com uma necessidade humana básica, o papel do estado e da sociedade civil será cada vez mais o de fiscalizar, regular e — sobretudo — educar.

Considerações Finais

O Ozempic é mais do que um remédio: é um símbolo da era da biotecnologia voltada para o consumo em massa. Sua ascensão meteórica mostra como estética, saúde, mídia e economia estão interligadas. Mas também nos lembra dos riscos de uma medicina externa para o lucro acima de tudo.

Seja você um paciente, médico, influenciado ou curioso, entender o impacto do Ozempic vai além da perda de peso. É um debate sobre futuro, acesso e responsabilidade.

Fonte

Biospace / AJMC – Explica que o Medicare considerará todas as formulações de semaglutida (Ozempic, Wegovy, Rybelsus) como um único produto na negociação de preço

One response to “Cost could soon come down for millions of Americans, drugmaker confirms – here’s how”

  1. […] O custo pode cair em breve para milhões de americanos, confirma a farmacêutica – veja como […]

Leave a Reply to GLP-1 Natural: O Segredo Polêmico da Perda de Peso por Trás do Corpo das Famosas Cancel reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

More Articles & Posts